Idoso vivendo em lixão expõe realidade precária da gestão de resíduos em Ipirá

A imagem de um idoso sobrevivendo em condições degradantes dentro de um lixão em Ipirá, na Bacia do Jacuípe, tem gerado forte comoção nos últimos dias. No vídeo que circula nas redes sociais, o homem aparece em um pequeno barraco, deitado em uma cama improvisada com plástico, cercado por moscas. O cenário fica às margens da BA-052, no trecho que liga o município a Baixa Grande e Irecê.

Maior e mais populosa cidade da Bacia do Jacuípe — região formada por 15 municípios — Ipirá integra a lista das 281 cidades baianas que ainda mantêm lixões em atividade, segundo a Agersa (Agência Reguladora de Saneamento Básico da Bahia). No fim de 2023, o IBGE já apontava que sete em cada dez municípios do estado continuavam utilizando lixões, apesar de sua proibição legal.

Gestão municipal reconhece dificuldades

O secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Ipirá, Juracy Oliveira Júnior, afirmou que há catadores que trabalham no local, muitos durante a noite, quando os caminhões chegam com resíduos. Ele confirma que algumas pessoas se instalaram no lixão para sobreviver da reciclagem.

Segundo o secretário, a substituição do lixão por um aterro sanitário — solução adequada prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos — enfrenta entraves financeiros. “A solução individual é muito complicada para municípios de pequeno e médio porte. A maioria não tem condições financeiras para isso”, disse.

Nenhuma cidade vizinha, incluindo Capim Grosso e Pintadas, conseguiu implantar estruturas próprias dentro das normas ambientais. Para tentar superar essas limitações, Ipirá integra o Consórcio Público da Bacia do Jacuípe, que articula a construção de aterros sanitários regionais.

Projeto regional sem garantia de recursos

O consórcio elaborou um pré-projeto reunindo os 15 municípios da região e busca captar recursos federais para viabilizar os aterros. Estudos preliminares indicam que Ipirá pode ser o município-sede, tanto pela quantidade de resíduos produzidos quanto pela área já disponível.

O terreno, localizado no mesmo espaço do atual lixão e com cerca de 20 tarefas — o equivalente a quase nove campos de futebol — pertence ao município. Ele já abrigou um aterro simplificado construído pelo governo estadual nos anos 2000, mas a estrutura foi desativada por falta de condições operacionais.

Apesar do avanço das tratativas, não há confirmação de financiamento federal. “É uma tentativa conjunta do consórcio e dos municípios. O Ministério Público cobra a solução, mas hoje nenhum gestor da região tem condições de resolver o problema sozinho”, reforçou o secretário.

Catadores resistem à formalização

Questionado sobre políticas de organização dos catadores, Juracy Júnior informou que já houve tentativa de criar uma associação, mas o grupo não teria demonstrado interesse. Segundo ele, muitos chegam a faturar entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês com a triagem dos materiais, o que dificultaria a adesão a modelos formais de trabalho.

Fim dos lixões segue sem prazo definitivo

A Política Nacional de Resíduos Sólidos previa o fim dos lixões em 2014, prazo que vem sendo prorrogado sucessivas vezes. O último limite estabelecido para municípios com mais de 50 mil habitantes — caso de Ipirá — venceu em agosto do ano passado. Atualmente, o Congresso Nacional analisa novos projetos que propõem empurrar novamente o encerramento definitivo, com sugestões que chegam a 2030.

Enquanto isso, o problema persiste a céu aberto, expondo moradores, trabalhadores e o meio ambiente a riscos contínuos.

Informações: Bahia Notícias

Foto: Reprodução / Agência Rossi

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