As investigações da PF (Polícia Federal) apuram se o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Líder do governo Lula no Senado, Wagner foi um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a suposta fraude financeira do Banco Master. Também está na lista de alvos Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A PF identificou uma conversa de novembro de 2024, em que o senador repassava dados do imóvel a Augusto Lima, incluindo o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, a unidade em questão e o valor. No dia seguinte, também teria encaminhado o material digital de apresentação do imóvel.
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Segundo a Polícia Federal, o imóvel fica no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, região de imóveis de luxo na capital baiana. A unidade mencionada nos autos é o apartamento 1702, avaliado em R$ 2,4 milhões.
O empreendimento está sendo construído pela empresa pernambucana Moura Dubeux, com previsão de entrega para setembro de 2026, e reúne características voltadas para um público de alta renda, com apartamentos amplos, áreas comuns sofisticadas e estrutura de lazer completa.
A Polícia Federal apura se a aquisição do imóvel foi viabilizada por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado.

Apartamento citado em investigação contra Jaques Wagner fica em condomínio de luxo em construção
Segundo informações que constam nos autos, o foco central desta fase é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.
“A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz um trecho da decisão.
A apuração teve um avanço, segundo a PF, após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, que revelaram a dinâmica do suposto esquema.
“A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero”, detalha outro trecho do documento.
A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada “Emenda Master” e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Vorcaro e Lima possui forte atuação por meio do Credcesta.
Em contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores suspeitam que Wagner tenha sido beneficiado com:
- Propina: repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada ao enteado e à nora do senador.
- Imóvel de luxo: a transação suspeita de um apartamento no Poeme Residence (unidade 1702), localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador — área nobre da capital baiana. O edifício está avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, segundo a PF.
- Mordomias: o uso frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows.

Prédio tem spa, quadra de tênis e sistema de segurança reforçado
“De acordo com a representação, o Senador teria mantido interlocução direta com Augusto Ferreira Lima sobre temas relacionados [a] à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda, ensejando a apresentação da Emenda nº 30 à Medida Provisória nº 1.106/2022 (posteriormente convertida na Lei nº 14.431/2022)”, diz o documento.
“[b] à tentativa de aprovação da PEC nº65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e [c] à atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)”, prossegue.
Jaques Wagner, que já foi governador da Bahia por dois mandatos e ocupou diversos ministérios, já havia sido citado anteriormente por intermediar contatos entre o grupo financeiro e altas autoridades.
Nesta manhã, policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, inclusive em um endereço do senador em Salvador, no Corredor da Vitória.
Relembre a operação Compliance Zero – A primeira fase da operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025, quando a PF prendeu pela primeira vez Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Na ocasião, entre outros seis alvos, também foi preso Augusto Lima.
Naquele dia, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dias após sua prisão, Vorcaro foi solto e passou a utilizar tornozeleira eletrônica. Em março, em uma nova fase da operação, o ex-banqueiro foi preso novamente. Atualmente, ele está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ao longo dos últimos meses, a investigação apontou uma rede complexa liderada por Daniel Vorcaro, que incluía articulação política e gerenciamento de um grupo responsável por intimidar desafetos, acessar sistemas restritos e obter informações sigilosas.



