No próximo dia 28 de julho, completam dois anos da morte de Jadson Nascimento, de 19 anos, natural da região do Açude de Aroeira, zona rural de Conceição do Coité. O jovem, que trabalhava na construção da casa do advogado Helido Ernesto Reyes, no dia 28 de julho de 2024, em Morro de São Paulo, foi assassinado a golpes de marreta.
Na época, as primeiras informações divulgadas apontavam que o crime teria ocorrido em um imóvel. Segundo testemunhas, um dos criminosos chamou pelo nome da vítima e, quando Jadson atendeu, foi surpreendido e atacado com diversas marretadas, morrendo ainda no local.
Até hoje, porém, não há confirmação oficial de que o homicídio tenha ocorrido na residência onde Jadson trabalhava, nem qualquer conclusão das autoridades que estabeleça relação entre o assassinato e o advogado Helido Ernesto Reyes, executado a tiros em 11 de fevereiro de 2025.
Buscando esclarecer detalhes pouco conhecidos da história, a reportagem conversou com exclusividade com o tio de Jadson, que era o empreiteiro responsável pela obra da residência do advogado.
Segundo ele, Jadson havia saído de Coité para trabalhar na construção do imóvel em Morro de São Paulo.
O familiar contou que, cerca de dois meses antes do homicídio, houve um desentendimento entre o sobrinho e o advogado, mas fez questão de ressaltar que não atribui a morte de Jadson a Ernesto Reyes.
“Falando por mim, eu nunca cheguei a suspeitar dele. Só uma investigação poderia esclarecer o que realmente aconteceu”, afirmou.
O tio disse que alguns familiares chegaram a levantar essa hipótese na época, mas destacou que se tratava apenas de suspeitas, sem qualquer comprovação.
Ainda conforme seu relato, o ambiente de trabalho era marcado por ameaças constantes.
“Era complicado. Sempre havia muita pressão. Às vezes ele fazia comentários que poderiam ser interpretados como brincadeira, mas a gente ficava receoso pelo comportamento dele bem ameaçador.”, relatou.
Ele também afirmou que, dias antes do crime, houve uma confraternização em que o advogado ofereceu bebidas ao jovem.
Segundo o tio, Jadson exagerou no consumo de álcool e acabou discutindo com o advogado.
“Ernesto se chateou, os dois discutiram e ele pagou a passagem do meu sobrinho para que fosse embora pra Coité. Mas ele nunca chegou a agredir meu sobrinho.”
O empreiteiro contou que, posteriormente, precisou levar Jadson novamente para concluir uma etapa da obra. Naquele dia, segundo ele, o advogado teria orientado os trabalhadores a não saírem da residência, alegando que a região era perigosa por haver pontos de tráfico de drogas nas proximidades.
“Mesmo assim, meu sobrinho saiu com outro rapaz e depois aconteceu o crime.”
Até o momento, não há qualquer informação oficial que relacione Helido Ernesto Reyes ao assassinato de Jadson Nascimento. As declarações apresentadas nesta reportagem correspondem exclusivamente ao relato do tio da vítima e não representam conclusão da investigação policial, que ainda não esclareceu a autoria e a motivação do homicídio.
A reportagem está aberta para manifestações

