Número de motoristas sem habilitação acende alerta e governo propõe mudanças para facilitar acesso à CNH

Os números são preocupantes: mais de 900 mil infrações por dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foram registradas em 2024. Somente até setembro deste ano, já foram quase 800 mil autuações. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), cerca de 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação em todo o país.

Diante desse cenário de exclusão e risco nas vias, o Ministério dos Transportes propôs um projeto de modernização e simplificação do processo de obtenção da CNH. A proposta está em consulta pública na plataforma Participa + Brasil e prevê uma série de mudanças que podem tornar o acesso à habilitação mais ágil e acessível. Hoje, o processo pode levar quase um ano e custar até R$ 4.200.

Requisitos básicos

Os pré-requisitos continuam os mesmos: o candidato deve ter pelo menos 18 anos, saber ler e escrever, possuir documento de identidade e estar inscrito no CPF.
Quem optar por fazer o curso teórico a distância poderá confirmar sua identidade digitalmente, por meio da conta gov.br.

Abertura do processo

Após cumprir os requisitos, o candidato poderá abrir o processo de habilitação de forma digital — pelo aplicativo ou site do Detran do estado — ou presencialmente, nas unidades do órgão.
O andamento de todo o processo poderá ser acompanhado on-line pelo Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach).

Etapa teórica mais flexível

Uma das principais mudanças está no curso teórico. Ele deixa de ser exclusivo das autoescolas, e o candidato não será mais obrigado a cumprir as atuais 45 horas de aula. Agora, o aluno poderá escolher como e onde aprender, seja presencialmente, on-line ou em formato híbrido.

As opções incluem:

  • Curso on-line oferecido pelo Ministério dos Transportes;
  • Aulas em autoescolas tradicionais, presenciais ou a distância;
  • Formação em escolas públicas de trânsito (como o Detran) ou instituições credenciadas.

Coleta biométrica obrigatória

Após concluir o curso teórico, o candidato deverá realizar a coleta biométrica — com foto, digitais e assinatura — no Detran do seu estado. O registro é obrigatório para validar o processo e será utilizado em todas as etapas seguintes, inclusive nas provas teórica e prática, garantindo a segurança e autenticidade do exame.

O projeto ainda está em fase de análise e pode sofrer ajustes antes da implementação definitiva. Contudo, a proposta já é vista como um passo importante para democratizar o acesso à habilitação e reduzir a informalidade no trânsito brasileiro.

Informações: Acorda Cidade

Foto: Itailuan dos Anjos/Detran -BA

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