‘Plantaram uma arma e agora temo pela minha vida’, diz cantor preso em ação da PM no Pelourinho

As imagens de um homem sendo contido, de forma agressiva, pela Polícia Militar, ganharam repercussão nos últimos dois dias. Os vídeos registraram o momento em que o cantor Tom Sofrência, 39 anos, é preso pela polícia, na noite do último domingo (5), na Rua João de Deus, no Pelourinho.

A Polícia Militar (PM) informou que ele havia tentado fugir e estava com uma pistola. Tom, contudo, nega que estivesse com uma arma. “Quando vi que eles iam me prender e forjar uma arma, eu reagi. Mas levei spray de pimenta, fui levado ao chão, fui engarguelado (sic), fui humilhado no lugar onde eu vivo e ganho meu pão”, rebateu o músico, em entrevista ao CORREIO, por telefone, nesta terça-feira (7). “No Pelourinho, não toco mais, porque temo pela minha vida”.

Tom Sofrência se apresenta no Bar do Fua há quatro anos, sempre de sexta-feira a domingo. Dessa vez, segundo ele, não foi diferente. Por volta das 23h30 de domingo, estava arrumando o carro para ir embora depois do show.

“Subi meu carro. Podia estar na contramão, na verdade, ali não tem mão, nem contramão. Me dou de frente com a viatura da 1845 (do 18º Batalhão). Eles conhecem meu carro, diga-se de passagem, que é uma Duster prata. Dei ré para eles passarem e eles verificaram que tampei a placa”, diz.

Tom admite que costuma tampar a placa devido aos radares da Transalvador, que restringem a circulação de veículos no Pelourinho. De acordo com ele, essa é uma atitude corriqueira entre comerciantes e até entre os próprios policiais militares. Ele admite que, quando os carros estão subindo, é comum que moradores e comerciantes locais tampem as placas da frente dos veículos; na descida, as placas de trás.

A abordagem, contudo, já teria sido de forma truculenta. “Disseram que eu estava com arma. Eles plantaram aquela arma, porque eu nunca nem tinha visto. Sou músico, nunca me envolvi com tráfico de drogas. Eles conhecem todo mundo ali, mas são truculentos na comunidade”, conta Tom.

Tudo aconteceu na frente do Bar do Fua. Nas imagens, é possível ver que dezenas de pessoas estavam na rua no momento da abordagem. “Eu não sou vagabundo, não sou traficante. Nunca fui”, enfatizou.

Outra versão

As informações divulgadas pela polícia, contudo, são diferentes. Segundo a assessoria da PM, equipes do 18º BPM apreenderam uma arma de fogo, munições, carregador e aparelhos celulares depois que avistaram um carro trafegando na contramão na Rua João de Deus. A PM informou que a placa de identificação estava coberta, de forma intencional, por um pano.

“Ao receber a voz de parada dos militares, o condutor tentou fugir, mas foi rapidamente interceptado e contido pelas equipes após demonstrar resistência. Durante os procedimentos de abordagem e busca pessoal, foi constatado que o indivíduo estava portando uma arma de fogo”, dizem, em nota.

Ainda de acordo com a PM, com ele teriam sido apreendidos uma pistola calibre .380, um carregador municiado com 12 cartuchos do mesmo calibre, além de dois aparelhos celulares.

“O homem e todo o material apreendido foram conduzidos e apresentados na Central de Flagrantes para a adoção das medidas de polícia judiciária cabíveis”, completam, em nota.

Perseguição

Agora, Tom diz que não pretende mais voltar a tocar no local. Na avaliação dele, há perseguição ao Bar do Fua. “Domingo foi a última vez. A gente é perseguido por levantar a bandeira LGBTQIA+”, diz.

Contato: (75) 9 9108-0825 Agenor Filho Jornalista- DRT:7228

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